A reivindicação trabalhista da Gen Z brasileira
Inspirada por Ana Bartholomeu, líder criativa e de conteúdo, estou dando continuidade a essa conversa a partir de uma perspectiva geracional, dirigindo-a novamente a líderes de outras gerações. Hesitei antes de publicar este artigo, considerando o debate contínuo entre Millennials e Geração Z. De um lado, há líderes reclamando da dificuldade de trabalhar com os mais jovens. Do outro, uma geração inteira encara o mundo e o mercado de trabalho de forma mais pragmática.
Antes de entrar nesse tema, é essencial abordar a questão geracional e as diferenças presentes em nossa região. Essas nuances são cruciais ao considerar a realidade diversa em que vivemos, especialmente quando olhamos para as experiências dos nossos jovens.
A Geração Z no Brasil, assim como em outros lugares, é marcada por uma grande diversidade, refletindo diferentes origens socioeconômicas, culturais e experiências de vida. Escolher onde trabalhar pode parecer um privilégio, muitas vezes acessível apenas a quem tem condições financeiras favoráveis.
A desigualdade socioeconômica é uma realidade significativa no Brasil e se reflete nas oportunidades de emprego disponíveis para a Geração Z. Jovens talentos de diferentes contextos enfrentam barreiras distintas ao tentar ingressar no mercado de trabalho. O acesso a uma boa educação, redes de contatos, estágios e experiências relevantes influencia diretamente essa escolha.
Além disso, a realidade econômica do Brasil frequentemente coloca a estabilidade financeira como prioridade máxima para os jovens profissionais, tornando a escolha do emprego mais uma questão de necessidade do que de luxo. O foco na segurança financeira e benefícios básicos muitas vezes supera considerações como cultura organizacional e propósito da empresa.
Com isso em mente, é crucial que as empresas reconheçam essas disparidades e adotem práticas inclusivas para criar oportunidades iguais para todos os membros da Geração Z.
Por que tantas empresas estão tendo dificuldades para atrair e reter talentos jovens?
Muitas empresas enfrentam desafios para atrair e reter jovens talentos devido às mudanças nas expectativas e valores dessa geração. Profissionais mais jovens não buscam apenas salários competitivos — eles valorizam benefícios intangíveis, como propósito, flexibilidade e oportunidades de desenvolvimento.
Organizações com culturas ultrapassadas ou pouco inclusivas podem ter dificuldades para atrair esses talentos, já que diversidade e colaboração são prioridades.
O rápido avanço da tecnologia também pressiona as empresas a oferecer oportunidades contínuas de aprendizado e crescimento. A busca pelo equilíbrio entre vida profissional e pessoal, aliada a um forte senso de responsabilidade social e propósito no trabalho, são fatores determinantes na retenção desses profissionais.
Diante da forte concorrência, as empresas precisam equilibrar remuneração justa e benefícios adicionais para oferecer um pacote atraente aos jovens talentos. Adaptar práticas corporativas aos valores e expectativas dessa geração é essencial para superar esses desafios.
O que os jovens querem?
Somos pragmáticos, mas não estamos desconectados. Nossa força está na diversidade. Valorizamos empresas que abraçam a inclusão em todas as suas formas, desde a equidade de gênero até a representatividade étnica. Queremos fazer parte de ambientes onde todas as vozes sejam ouvidas e respeitadas.
Entendemos que investir em Diversidade e Inclusão (D&I) vai além da comunicação — exige uma abordagem prática e intencional. Isso começa com políticas internas que promovam igualdade de oportunidades e evitem qualquer forma de discriminação. Queremos participar de treinamentos regulares sobre D&I para fortalecer uma cultura organizacional inclusiva.
Para nós, da Geração Z, a linha entre trabalho e vida pessoal é tênue, muitas vezes imperceptível. Nossa abordagem profissional não se limita a encontrar empregos, mas sim a um caminho que se entrelaça com nossas vidas pessoais, ambições acadêmicas e a busca pelo equilíbrio.
Não estamos apenas atrás de ascensão corporativa — queremos desenvolver nossas habilidades sem abrir mão da nossa vida pessoal. Empresas que oferecem políticas flexíveis compreendem as complexidades das nossas rotinas multifacetadas, permitindo que ajustemos horários de trabalho conforme nossos compromissos acadêmicos ou pessoais. Essa flexibilidade não é apenas um benefício; é essencial para otimizar nosso desempenho profissional e acadêmico.
O trabalho remoto e horários flexíveis também estão alinhados com nosso desejo por liberdade e autonomia. Valorizamos a possibilidade de adaptar nosso ambiente de trabalho às nossas necessidades, o que impulsiona nossa produtividade e satisfação. Empresas que entendem e incorporam esses elementos ao dia a dia não só nos atraem, mas nos retêm, criando um espaço de trabalho equilibrado para nosso crescimento.
O digital e a inovação
A era digital não é apenas onde vivemos, mas uma influência formativa que permeia cada aspecto da nossa existência. Estamos imersos nela e buscamos empresas que não apenas adotem a tecnologia, mas que façam dela um princípio fundamental para perseguir inovação constante. Queremos mais do que uma carreira; queremos sentir que estamos contribuindo para algo genuinamente inovador e relevante para o futuro.
Nosso apreço pela tecnologia não é apenas uma preferência superficial, mas uma resposta à nossa realidade digital. Procuramos empresas que compreendam a dinâmica em constante mudança do setor tecnológico e que abracem essas transformações, em vez de resisti-las. Isso não apenas nos permite desempenhar nossas funções de forma mais eficiente, mas também cria um ambiente dinâmico e estimulante, alinhado ao mundo acelerado em que vivemos.
Para nós, o trabalho em equipe não é apenas uma estratégia de produtividade — é um elemento essencial da nossa jornada profissional. Crescemos em ambientes educacionais que priorizaram a colaboração, moldando nossa visão sobre o trabalho. A sinergia de ideias e a diversidade de perspectivas são indispensáveis.
Empresas socialmente responsáveis nos atraem porque queremos fazer parte de organizações que não buscam apenas o lucro, mas que também se comprometem com a responsabilidade social e a sustentabilidade.
Não buscamos apenas um emprego; queremos fazer parte de empresas que reconhecem seu papel na construção de um mundo mais justo e sustentável. O impacto de uma empresa vai além dos números financeiros, estendendo-se às esferas social e ambiental. Queremos contribuir para organizações que valorizam um futuro mais ético e sustentável.